A dor do mito da meritocracia afundou em mim como uma faca afiada quando eu a vi. Estava sentada em um restaurante italiano em um bairro nobre de São Paulo quando ela passou por mim. Foi um tapa na cara bem dado, uma porrada muito merecida na minha ignorância de cada dia. Ela passou por mim diretamente e não reparou naquele lugar. Iluminado e vazio para um restaurante tradicional no sábado à noite. Ela tinha a pele muito clara. Suas bochechas estavam vermelhas e concentradas no percurso. Os olhos escuros e bem marcados estavam fixos no caminho à frente. Os cabelos muito negros, lisos e longos estavam presos em um rabo de cavalo alto, que encaixavam no boné rosa que protegia seu rosto. Ela forçava, com foco, as rodas de sua cadeira por aquela calçada esburacada. A dor do mito da meritocracia me veio quando eu reparei no que a mulher trazia nas costas da cadeira de rodas que, com muito esforço nos braços, ela arrastava. A dor do mito da meritocracia se afundou no meu estô...
A vida é um sopro. Quando chega na gente, já foi É uma brisa leve Um contato sutil É uma construção contínua Entre tudo que há fora E tudo que está dentro Esse turbilhão de meios e ambientes A vida é um sopro Quando se assopra, passou É uma estrutura frágil Uma conexão sutil É um contato que fica É só esbarrar que se vai A vida é um sopro Sopra o vento e deixa a brisa Levar para o sol essa vida Essa vida constante Essa vida intensa Intensamente vívida Intensamente sentida Intensamente sonhada Leve essa brisa Leve essa brisa para à aquecer à luz solar à luz do sol à luz natural À luz encantadoramente luz Que será luz hoje e sempre Para emanar, iluminar e aquecer Essas vidas Que ficam Que vão Que sentem Que se intensificam Essas vidas Intensamente Vívidas A vida é um sopro