Meu namorado e eu resolvemos adotar um cachorro. Ficaremos pelos próximos meses em casa e, provavelmente, por muito mais tempo depois disso e sentimos que falta algo no lar.
Ah,
meu namorado e eu resolvemos morar juntos. Esse é um detalhe essencial que
deveria ter vindo antes de eu falar da adoção do cachorro, mas sou ansiosa e
já quis começar pelo principal.
Não
que morar junto seja algo trivial. Veja, já são 120 dias de quarentena, nós
dois juntos, dividindo a louça, decidindo o cardápio da semana, separando a
roupa para lavar. Meu namorado até já começou a adotar cereais (de verdade) em
suas refeições e incluiu um dia na semana sem carne.
Morar
junto é uma experiência peculiar, porque mesmo após 10 anos de relacionamento,
somente a convivência diária, a divisão parcial do cobertor, a separação do armário e o café passado por um ou por outro, é que deixam claro,
verdadeiramente, algumas coisas. É um contínuo processo de descobrimento.
Até sobre si. Tive grandes estalos como colega de apartamento do meu próprio namorado. Um novo processo de autodescoberta. Minhas cismas, minhas manias, meu
controle e até meu autocontrole. Morar junto é aprender muito sobre o outro,
mas é, ainda mais, aprender sobre nós mesmos.
Mas
voltemos ao tema dessa crônica. Nossa decisão de adoção.
Passei
a seguir vários instagrams de projetos de adoção. Foram muitas horas de pesquisa
a projetos e cachorros. Mais horas decidindo o “perfil” do cachorro. Muito mais
horas ainda estabelecendo regras a serem obedecidas pelo futuro morador. Ele
não dormirá em cima da cama, serei intransigente. Meu namorado passa horas de
muitos dias a tentar me convencer de que essa regra cairá por terra. Serei
firme. Tenho convicção. Por enquanto.
Mas,
fato é, que sequer fomos aprovados no processo de adoção. Mas há ansiedade e ela é
grande. Peculiar essa ansiedade de agregar um novo ser no meu pequeno
apartamento, que cagará por todo o meu piso, consumirá meu salário com ração e
o meu tempo com passeio.
A
decisão da adoção também é uma autodescoberta. Não é só sobre o novo ser vivo
para o qual eu cederei meu espaço daqui a algumas semanas, mas também sobre mim
mesma. É uma autodescoberta sobre a minha necessidade de me doar,
integralmente, a outro ser, que dependerá de mim. É uma descoberta sobre a formação de um lar. O meu próprio lar.
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