Eu estava voltando para casa depois de mais um dia exausto de trabalho. Sentei no banco do ônibus que ficava de costas. Era bom dar um “adeus” sutil às obrigações satisfatoriamente cumpridas. Minha bolsa descansava sobre meu colo, enquanto eu admirava a paisagem lá fora. O trajeto do porto do centro do rio, com suas histórias encobertas e despedidas dolorosas, entretinham meu caminho até a ponte Rio-Niterói. A minha frente, um menino. Devia ter seus 15, 16 anos e ainda vestia o uniforme do colégio. Concentrava-se firmemente nos traços que o lápis fazia sobre o caderno apoiado na mochila. Focado, não errava um risco, dispensava o uso da borracha. Os cabelos desarrumados lhe caíam sobre a testa e ele mantinha os olhos precisos em seu desenho. Atentei-me então para o papel que o menino ilustrava. Desenhava com perfeição um personagem de Star Wars, que eu sabia que pertencia ao filme mas por minha ignorância, sequer imaginava qual seria o seu nome. O traçado era perfeito, nunca havia v...
Um olhar sobre um mundo a ser descoberto...